Projeto Escrita Criativa Entrevista #4: Priscila Gonçalves

By Ane Venâncio - março 29, 2018


Olá, escritores! 

Dando sequência a nossa série de entrevistas, hoje trazemos o nosso bate-papo com a Priscila Gonçalves, autora do livro A Bailarina e o Atleta . Vamos conferir?

Projeto Escrita Criativa:Como foi que você começou a escrever? Quando decidiu encarar a escrita como profissão?
Priscila Gonçalves: Sei que é clichê, mas eu sempre gostei de escrever. Ficava escrevendo versinhos no caderno e, a medida que ia crescendo, ia escrevendo mais coisas. Poemas, mensagens para as amigas... Com 16/17 anos, depois das minhas maravilhosas aulas de redação, cheguei a esboçar uma história, mas não tinha continuidade. Com 23, fiquei desempregada e as idéias surgiram. E comecei a escrever de verdade um livro. Mas no início era hobby mesmo, publicar por prazer. Até escrever o primeiro e correr atrás de editoras: Senti com clareza que era isso que queria fazer da vida para sempre.

PEC: Quem são os autores que te influenciam? Eles aparecem de alguma forma na sua obra? Como?
PG: Minha descoberta foi depois de ler Thalita Rebouças, vi que tinha encontrado meu gênero. Depois fui conhecer outras autoras infantojuvenis como Paula Pimenta, Tammy Luciano, Patrícia Barboza, etc. Elas não aparecem de verdade, mas sinto que tem um pouco de cada uma na essência das histórias.

PEC: O que você está lendo no momento? Qual o livro que marcou a sua vida como leitora?
PG: No momento estou lendo Sobre a Escrita, de Stephen King. O livro mais marcante para mim foi Harry Potter, mas minha vida de leitora começou bem cedo, com gibis da Turma da Mônica.

PEC: Como é o seu processo de escrita? Você tem alguma rotina/mania ao escrever?Você tem alguma dica de ouro para este momento?
PG: Eu tive muita dificuldade com rotina de escrita e organização. Precisei ir aprendendo na marra. Encaro a escrita como um trabalho, então organizei meus horários como meu trabalho formal (sou funcionária pública): quatro horas no home office, parando para alongar de 40 em 40 min (para não dar tendinite) e respeitando os horários. Antes de começar a escrever faço um esboço, um passo a passo sobre como será todo o livro, o que vai acontecer. Começo a escrever respeitando esse roteiro, mesmo que mude alguma coisa. Bebo bastante água e coloco uma música instrumental alegre de fundo para ajudar. A principal dica que dou é estabelecer um prazo. E só vou sob pressão. rs

PEC: Como foi para você escrever e publicar seu primeiro livro? Você notou uma grande diferença entre o primeiro e os demais?
PG: Foi mágico e doido ao mesmo tempo. Deu mais trabalho que imaginava, precisei revisar umas 4 vezes, lembro de ficar até tarde relendo e corrigindo erros. Deu um frio na barriga gigante mas depois veio a satisfação de vê-los na minha casa e o retorno dos leitores. Estou prestes a publicar o segundo livro, o frio na barriga é o mesmo, mas uma segurança maior de saber que vai dar certo. A dificuldade entre os dois foi quase a mesma, afinal são histórias diferentes. O que mudou muito foi minha rotina, aprendi com o tempo a me organizar e antes trabalhava fora o dia todo, agora só meio período.


PEC: Como você vê o papel da mulher na literatura, seja como personagem, seja como autora?
PG: Acho que ainda estamos caminhando para um maior reconhecimento. Já demos um passo bom, mas ainda falta bastante. Muita gente ainda vê como livro de mulherzinha, bobeira, mas é com o retorno dos leitores que conseguimos mostrar para que viemos. Como personagens, percebo que as protagonistas estão cada vez mais fortes, menos submissas e sonhando com o príncipe encantado.

PEC: O Brasil é um país em que as pessoas costumam ler pouco. Qual é o papel da comunicação entre escritor e leitor via Internet? Você acredita que essa interação ajude a formar novos leitores?
PG: Acredito que a internet tem sido nosso maior aliado. Existem inúmeros grupos de leitores nas redes sociais, que trocam experiências, dicas literárias e conversam sobre os livros que leram. Assim mais gente fica sabendo das novidades, conhecem seu gênero e fazem amizades. Eu mesma já vendi livros através das redes sociais e sou bastante grata.

PEC: Como você vê o mercado para os autores nacionais? Quais dicas você daria para o autor que quer ver o seu trabalho publicado?
PG: Existem diversas maneiras de se publicar um livro. Não é fácil mesmo encontrar uma boa editora e publicar, mas o que é fácil nessa vida né? Só que não é impossível. Pesquisem bastante, leiam, tirem suas dúvidas com os editores, e, talvez minha maior dica, abram uma poupança e invistam um dinheiro. Mesmo que consiga publicar gratuitamente, você vai precisar dele. E se por acaso não fizer uma boa escolha, saiba que não precisa ficar na mesma editora a vida toda.


PEC: Qual é a sua opinião sobre os influenciadores digitais? Já fez ou pensou em fazer parceria? Caso a resposta seja sim, como foi a experiência, deu resultado?
PG: Eles podem ser nossos maiores aliados, mas sempre sugiro tomar cuidado. Infelizmente muita gente aparece dizendo que é influenciador, mas não tem um número legal de seguidores e interação. Ou está bem no começo. Ainda não fiz parcerias, pois não recebi propostas legais. Acho interessante fechar quando você tem grande probabilidade de retorno, mas acho que isso é muito pessoal. Mas, em contrapartida, amigas blogueiras e até mesmo pessoais já leram meu livro e divulgarem em suas redes sociais. Ajudou bastante.

PEC: Você está trabalhando em um novo projeto? Qual? Você pode nos contar um pouco sobre ele?
PG: Sim. Como disse, estou prestes a publicar o segundo livro, só que dessa vez de forma independente. Ano passado comecei a escrever o terceiro livro, mas deu um bloqueio e comecei outra história. Agora estou com as duas e não sei qual vou terminar primeiro. Assim que o segundo sair, vou contar a experiência da publicação independente no YouTube. Aguardem.

PEC: Deixe o seu recado para os leitores do Projeto Escrita Criativa.
PG: Nunca desistam do sonho de ter seu livro publicado. Sei que não é fácil, mas, como já disse lá em cima: nada é fácil. Tudo dá trabalho mesmo. A gente vai errar, vai cair, mas sempre vai ficar um aprendizado. Espero trocar muuuitas experiências com vocês e aprender com a história de cada um. Juntos iremos mais longe. Beijo grande no coração!!
Priscila Gonçalves


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1 comentários

  1. Amore como estou feliz em ver minha entrevista aqui :) ficou linda a postagem, com as fotos, foi uma surpresa ver tudo tão bonitinho.
    Obrigada pelo carinho, adoro esse projeto e estou aprendando tanto com vcs...
    Beijo grande no coração!!!

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