Estrutura Narrativa - Laboratorio del Poeta

By Ayumi Teruya - julho 07, 2018




Olá Escritores!

Aqui é a Ayumi, uma das moderadoras do Projeto Escrita Criativa. Dessa vez quero contar para vocês sobre uma experiência muito legal que passei com o Laboratorio del Poeta aqui em Buenos Aires. Tive a oportunidade de ver uma aula de estrutura narrativa e quero compartilhar minhas descobertas!

Mas antes de revelar os segredos de uma boa história, que tal saber um pouco mais sobre o Laboratorio del Poeta?

Fundado em 2008, por Lisandro Gallardón e apadrinhado pela UBA de Filosofía e Letras (Universidad de Buenos Aires), o Laboratorio del Poeta é um espaço que oferece oficinas, tutorias e eventos relacionados à escrita, oferecendo serviços de forma on-line e presencial para todas as idades. Sua missão é dar beleza ao mundo mediante a assistência didática, revisão editorial e fusão de obras finalizadas ou em processo daqueles que participam desse espaço.

Seu objetivo específico é levar a intuição criativa e a inteligência compositiva do participante à sua máxima expressão a partir de uma abordagem de várias estratégias, baseadas na semiótica estética y na poética cognitiva, mediante a um acompanhamento constante e de alto nível académico acessível para todos. Não é necessário um conhecimento prévio para fazer parte do Laboratorio, os exercícios podem ser realizados tanto por crianças como por adultos.


Taller de Escritura Creativa Gratuito en la UBA - Laboratorio del Poeta from Nikolas Kafka on Vimeo.


Agora é a hora de compartilhar aquilo que eu aprendi. Vamos lá!


1.Toda história precisa de EMPATIA.

É a partir da empatia que a história chegará no mais íntimo do leitor. É a cereja do bolo que o fará conectar-se com os personagens e se interessar pela história. É o elemento chave que vai seduzi-lo.

E como chegar nessa empatia?

Não pense “esse personagem é como esse tipo de pessoa, então ele faria isso, isso e isso”, dessa forma você cairá nos clichês e nos padrões de sempre. Seja autêntico, coloque-se de verdade no lugar desse personagem, seja ele, sinta de verdade ao escrever a história, atue como ele.

Tudo isso fará com que a história tenha uma relação real com a vida.

Alunos atuando como os personagens que escreveram.

2. Situação de risco.

Criar a personalidade de um personagem nunca é fácil. Fazemos listas, atuamos, imaginamos, escrevemos biografias inteiras para tentar captar a essência de cada um, mas muitas vezes falhamos em alguns aspectos.

Uma boa forma é imaginar como o seu personagem reagiria em uma situação de risco.

Ele realmente seguiria tudo aquilo que acredita ou deixaria sua moral de lado? Faria o que diz ou ficaria petrificado diante uma situação arriscada? Quais são os medos que o dominariam? Qual tipo de “defeito” viria à luz?

3. Personagens e a estrutura da história.

É importante entender que o personagem deve ter uma evolução durante a história, que mude ou aprenda algo com todas as situações que passou. A estrutura narrativa moldeia o personagem ao mesmo tempo que ele moldeia a estrutura, isso significa que as situações da estrutura mudam o personagem e essa mudança pode levar a história (estrutura) para outros rumos. Se trata de um ciclo vicioso sem fim, o personagem é assim por conta da história e a história é assim por conta do personagem.

4. Linha de cotidianidade e abismo.

A linha de cotidianidade nada mais é do que aquilo que o personagem faz todos os dias, a rotina “sem graça” que não é interessante para o leitor. O abismo é algo que vai quebrar essa linha. É um acontecimento dentro da linha de cotidianidade que acontece após uma ação do personagem, que o leitor espera que aconteça algo, mas no final acontece o contrário (princípio de ação e reação. Ação do protagonista – reação/forças opostas que geram o abismo).

Exemplo: o personagem caminha até a porta para sair da sala (ação).
Expectativa: personagem sai da sala sem problema algum. Realidade: a porta está emperrada (reação).

É o abismo que vai exigir uma segunda ação do personagem, traz algo que o faça mover do lugar que está e buscar uma solução. É após o abismo que serão gerados os conflitos.

No caso do exemplo, o fato da porta estar emperrada o impede de sair da sala, gerando um conflito entre o que deseja o personagem e aquilo que ele tem no momento. Esse abismo pode gerar várias situações conflituosas, o personagem pode tentar sair pela janela, mas esta está coberta por uma grade de ferro, ele pode tentar arrombar a porta e quebrar uma cadeira ao tenta-lo.


5. Conflitos chaves.

Podem existir vários conflitos dentro da trama, mas é importante ressaltar dois momentos que interrompem a linha de cotidianidade. O Incidente Incitador que é aquele que dá início a todos os problemas, é a primeira faísca que acendeu o fogo da história e que vai chamar a atenção do leitor, dá lugar à curiosidade que leva à pergunta: “o que vai acontecer agora?”. E o Clímax do Último Ato é aquele último conflito em que o protagonista consegue resolver o problema planteado no Incidente Incitador, aquele acontecimento que todos os leitores esperam ansiosos, as famosas “batalhas finais”.


6.  Tipos de conflitos.

Em uma história podem acontecer três tipos de conflitos: intrapessoal, pessoal e extrapessoal. 

○ Intrapessoal são aqueles conflitos internos do personagem, pode ser algum dilema, problemas pessoais ou psicológicos, algo dentro do próprio protagonista que ele deve superar. 
○ Pessoal é algum tipo de conflito em relação a um outro personagem, a famosa dinâmica mocinho contra vilão. 
○ Extrapessoal é o tipo de conflito em que o personagem enfrenta o “mundo”, uma ditadura, uma ideologia, algo não relacionado diretamente com ele.

7. Arco narrativo.

É o caminho que o personagem percorre desde o Incidente Incitador até o objeto de desejo (algo que o personagem precisa, pode ser algo físico ou psíquico), não é em formato lineal, se apresenta em forma de dois arcos.

O primeiro arco é o do Desejo Consciente, é aquela meta clara que tanto o leitor como o personagem conhecem bem, é esse desejo que, tecnicamente, move o personagem em direção ao objeto. O segundo arco é o do Desejo Inconsciente, é mais profundo e se encontra nas entrelinhas, o personagem nunca dirá qual é esse desejo porque é o leitor que deve detectá-lo ao longo da leitura, através das ações e circunstâncias em que se encontra o protagonista.

Exemplo: Um personagem está estudando psicologia e diz: “quero terminar logo para ser alguém na vida”.
Desejo Consciente: quer terminar logo a faculdade porque é vantajoso formar-se jovem, abre portas no mercado de trabalho. Desejo Inconsciente: quer terminar logo para agradar os pais e poder estudar realmente o que quer no futuro quando estiver economicamente estável.


Esses foram alguns dos vários ensinamentos e experiências que tirei do Laboratorio del Poeta. A aula foi bem dinâmica e fizemos algumas atividades. No final nos juntamos em grupos para produzir um texto seguindo os novos ensinamentos e o atuamos depois, vendo as palavras no papel tomarem vida.



Espero que vocês tenham gostado. E se você mora, vem visitar ou quer fazer um intercâmbio na Argentina, não se esqueça desse “Taller de Escritura Creativa”! É gratuito, inspirador e no final do quadrimestre você ganha um certificado da UBA.

Até a próxima, escritores!


Saiba mais sobre o Laboratorio del Poeta aqui!

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1 comentários

  1. Ainda sem palavras para agradecer sobre esse post. Feliz por ver que minha nova história se encaixa nos itens, acho que preciso apenas trabalhar mais no arco narrativo, e colocar mais pimenta na história.
    Bjo grande e obrigada pelos ensinamentos

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