quarta-feira, 1 de abril de 2020

,

Olá, escritores!

Sem muita ideia do que fazer nessa quarentena? Então vem com a gente que vamos propor 15 coisas diferentes para que você possa aproveitar ao máximo esse tempinho em casa, vamos lá!


Deixo para vocês uma listinha de TED Talks interessantes para começar (clique em um link e se surpreenda!):
1.https://www.youtube.com/watch?v=WyOSqjIABe0
2.https://www.youtube.com/watch?v=NMQGa6grfeE
3.https://www.youtube.com/watch?v=Hhk4N9A0oCA
4.https://www.youtube.com/watch?v=ZQTQSbjecLg
5.https://www.youtube.com/watch?v=RSoRzTtwgP4
6.https://www.youtube.com/watch?v=xjKruwAfZWk

E você, fez alguma lista de coisas para estimular a sua criatividade nessa quarentena? Compartilhe com a gente!

quarta-feira, 25 de março de 2020

,

Ei, você que caiu aqui de paraquedas, é muito importante que leia o nosso post anterior sobre a Jornada do Herói para ficar por dentro de tudo!
Bom, como comentei anteriormente, Campbell se baseou na psicanálise e em diferentes mitos de diversas culturas para criar a Jornada do Herói, por isso vemos elementos como: “mulher como tentação”, “encontro com o pai”, “encontro com a deusa”; que se assemelham a diferentes histórias religiosas, sejam elas monoteístas ou politeístas, onde, por exemplo, vemos a mulher como a encarnação do pecado, isso fica bem claro em Adão e Eva, a Caixa de Pandora...
Para entender um pouco mais, temos que recorrer a Freud e a sua obra chamada Totem e Tabu, a qual apresenta muitos aspectos interessantes que Cambpell pode ter relacionado/utilizado ao criar a jornada.
Nessa obra, Freud cria seu próprio mito, o Mito do Pai da Ordem Primeva, para explicar como foi criada a base de toda a sociedade que mantém duas leis no geral, a do parricídio e a proibição do incesto, além de abordar um pouco do conceito religioso em relação à figura de um totem.


Basicamente, ele conta história de uma tribo com um pai proibitivo que possuía todas as mulheres para ele. Uma vez que os filhos homens atingiam uma certa idade, ele os enviava para longe para manter o seu poder e continuar desfrutando de todas as mulheres só para ele. Esses filhos, vendo as injustiças do pai, se juntam para derrota-lo e voltam para a tribo, juntos o matam e realizam um ritual onde comem partes de seu corpo, acreditando que assim poderão absorver parte de sua força e poder; com medo de que algum dos irmãos tome o lugar do pai, eles fazem um acordo de que ninguém ocupará o seu lugar para que a situação não se repita. Então surge um sentimento de culpa/remorso por parte deles, que faz com que os irmãos passem a venerar o pai falecido, desejando ser tão poderoso quanto ele, passando a transformar a figura do pai em um totem que causará o mesmo efeito de quando ele estava vivo. A sua imagem é uma recordação de que eles não devem matar o próprio pai (com medo que a história se repita com futuras gerações da tribo) e que não devem relacionar-se com sua irmã ou mãe, saindo à procura de uma mulher de outra tribo.



Segundo Freud, assim foram construídas a base das sociedades e leis que continuam até hoje, além de que podemos observar que toda sociedade foi criada ao redor de uma espécie de totem que lembra as pessoas das principais leis que devem ser obedecidas pela figura de um “pai” (seja ele Zeus, Deus, Rá, Tupã...). Os próprios Obeliscos, que estão em vários países do mundo, são totens!
E eu contei toda essa história para falar do superego e da figura paterna que podemos ver no “encontro com o pai” de Campbell. O superego é a parte moral da psique, é ela quem contém todos os valores morais, além de ter um papel criticador e controlador dos impulsos primitivos, mas por que eu estou falando de superego?
Bom, o superego é herdeiro do Complexo de Édipo, isso significa que quando ocorre o sepultamento do complexo (e alguns outros elementos envolvidos que não vem ao caso agora), é criado o superego, que pode ser mais ou menos “cruel” de acordo com as proibições impostas na infância.
Podemos falar um pouco dos temores do personagem e da moral dele, como ele vai encarar os desafios da jornada. Se é de uma forma mais tranquila ou super auto-punitiva lembrando de um “pai” super proibitivo. E quando dizemos “pai”, nos referimos a uma pessoa que ocupa essa função e não sempre ao pai biológico. O superego pode ser representado, de forma escrita, como aquela voz da consciência que diz “você nunca vai conseguir sobreviver, melhor ficar onde está” ou “você pode não conseguir, mas não custa nada tentar e salvar o mundo”. Pensando em outra característica, que não está tão diretamente relacionada ao superego e sim a outros fatores conjuntos, podemos decidir também se o personagem é mais reservado ou mais impulsivo em relação às suas decisões.



Voltando um pouco ao superego e sua composição... O Complexo de Édipo, fazendo um resumo bem grande, seria aquela etapa no início da infância onde o filho está apaixonado pela mãe e vê o pai como rival, logo o filho deve reprimir esses desejos pela mãe (processo de castração, onde há a proibição do incesto e parricídio) e aceitar o pai também. Uma vez reprimido, aí está o sepultamento do complexo.
Na etapa “encontro com o pai”, Campbell deixa claro as primeiras relações que tivemos com os nossos pais (mãe protetora e pai como intruso), é nessa etapa que, segundo ele, o herói vai deixar de lado os seus traumas infantis, enfrenta e se reconcilia com o pai, entendendo que a mãe e o pai significam a mesma coisa, que não existe verdadeiramente um bem e um mal, porque esses dois elementos são parte de um todo. Nessa etapa o herói passa por um processo de maduração e de identificação também, saindo do lugar de filho, pronto para entender que o mundo não funciona em uma dualidade, enfrentando aquilo do passado que tinha um certo controle em sua vida. É nessa hora que o personagem toma as rédeas verdadeiras da situação.



Voltando um pouco mais na linha temporal da Jornada do Herói, temos “mulher como tentação”, segundo Campbell essa é a fase representada pelas tentações que o herói deverá resistir durante a sua jornada, não sempre relacionada à figura de uma mulher, pode ser qualquer outra coisa. Ela remete a fase do Complexo de Édipo onde o filho está “apaixonado” pela mãe e deve aprender a reprimir esses sentimentos para poder viver, uma vez reprimido, algo desse desejo inaceitável ainda paira no inconsciente, mas ele pode seguir adiante. O mesmo acontece com as tentações apresentadas no caminho, o herói deve reprimir esses desejos e continuar a sua jornada, mesmo com algumas sensações causadas por esses desejos latentes que rondam sua cabeça.

Agora vamos trabalhar um pouco mais no crescimento do personagem, como podemos ver nas frases dos respectivos autores, a jornada é uma transição que pode ser comparada com a transição da adolescência com a vida adulta:

“No fundo, apesar de sua infinita variedade, a história de um herói é sempre uma jornada. Um herói sai de seu ambiente seguro e comum para se aventurar em um mundo hostil e estranho. Pode ser uma jornada mesmo, uma viagem a um lugar real: um labirinto, floresta ou caverna, uma cidade estranha ou um país estrangeiro, um local novo que passa a ser a arena de seu conflito com o antagonista, com forças que o desafiam. Mas existem outras tantas histórias que levam o herói para uma jornada interior, uma jornada da mente, do coração ou do espírito. Em qualquer boa história, o herói cresce e se transforma, fazendo uma jornada de um modo de ser para outro: do desespero à esperança, da fraqueza à força, da tolice à sabedoria, do amor ao ódio, e vice-versa. Essas jornadas emocionais é que agarram uma plateia e fazem com que valha a pena acompanhar uma história.”
- Cristopher Vogler “A Jornada do Escritor”
“O herói, por conseguinte, é o homem ou mulher que conseguiu vencer suas limitações históricas pessoais e locais e alcançou formas normalmente válidas, humanas. As visões, idéias e inspirações dessas pessoas vêm diretamente das fontes primárias da vida e do pensamento humanos. Eis por que falam com eloqüência, não da sociedade e da psique atuais, em estado de desintegração, mas da fonte inesgotável por intermédio da qual a sociedade renasce. O herói morreu como homem moderno; mas, como homem eterno — aperfeiçoado, não específico e universal —, renasceu. Sua segunda e solene tarefa e façanha é, por conseguinte (como o declara Toynbee e como o indicam todas as mitologias da humanidade), retornar ao nosso meio, transfigurado, e ensinar a lição de vida renovada que aprendeu”
- Joseph Campbell “O Herói de Mil Faces”

Para Vogler, o herói está em busca da sua identidade e é um personagem disposto a sacrificar as suas necessidades em benefício dos outros, as características estereotipadas como força, destreza e uma figura endeusada é algo que deve ser secundário e não precisa exatamente existir na composição do personagem. Ele diz que a jornada começa com a separação daquilo que é familiar (comunidade, família, tribo...) e logo segue com o personagem enfrentando diferentes facetas dele mesmo para logo concretizar o seu objetivo com uma transformação.
Segundo a visão de Campbell, a Jornada do Herói descreve a transição da adolescência para a fase adulta, um ritual de passagem, uma separação, transição... É esse o momento onde o personagem deixa para trás a sua psique infantil e retorna da jornada como adulto.
Já falamos um pouco das bases da psique infantil mais acima, agora é hora de chegar no momento mais confuso das nossas vidas e que justamente promove essa época de autoconhecimento e identificação. Vamos deixar um pouco Freud de lado e vou tocar em diferentes teorias relacionadas de Néstor Córdova, Piera Aulagnier e Adrián Grassi que falam sobre a adolescência.



Durante esse período das nossas vidas, temos que passar por um processo de historização para conhecer melhor a nós mesmos e formar-nos através da interação com outros no momento presente que vivenciamos. Piera fala de um Ego historiador que implica construir um passado para projetar o futuro, em um primeiro momento, nós recebemos os enunciados identificatórios dos nossos pais (você foi uma criança assim, assim, assado, é filho de fulano e ciclano, pertence à família tal e nós somos assim) e logo o adolescente assume o papel de criar esses próprios enunciados sozinho a partir de uma abertura ao novo, àquilo que está fora do âmbito familiar, isso é algo que exige muita criatividade do adolescente e também está relacionado à identificação de grupos.
Córdova diz que temos que passar por um processo de luto, temos que nos desfazer das figuras parentais e do corpo infantil, temos que estar de luto pelos objetos perdidos da infância para abrir espaço ao desconhecido. E esse luto não significa esquecer, pelo contrário, significa ressignificar e reelaborar o passado para criar novos sentidos no sentido hetero e extrafamiliar (diferente do familiar e fora do familiar).
Na Jornada do Herói podemos ver tudo isso desde o momento que o personagem sai da sua zona de conforto (daquilo que é conhecido, familiar, lugar onde está protegido por figuras paternas) e parte ao desconhecido que é hetero e extrafamiliar. No princípio da história, nós sabemos quem é o personagem de acordo com aquilo que é apresentado na sua apresentação e, logo, ele embarca na jornada para descobrir mais sobre si mesmo através de diferentes interações com outros e com diferentes situações.
A fase “Aproximação da caverna secreta” na Jornada do Herói de Vogler, poderia apresentar-se como essa fase de luto, onde o personagem ressignifica os pensamentos que tinha lá no princípio da história, logo, dá um novo significado e a partir das conclusões tiradas disso, pode seguir a sua jornada mais forte e independente, entendendo um pouco mais sobre si mesmo.
Para terminar, quero comentar que nesse processo de historização pode existir o que chamamos de Cripta, que é um segredo familiar que afeta a vida do personagem de maneira indireta, que é algo que ele não sabe, mas é de extrema importância. Acontece mais ou menos assim: A primeira geração sofre um trauma e não possui a capacidade de simbolizar isso em sua psique, então esse trauma se converte em algo indizível, eles sabem o que foi que aconteceu, mas não podem falar sobre isso. Já a segunda geração sente que há algo errado ou estranho na família, talvez determinadas ações tomadas pelos pais que eles não podem entender o motivo, esse trauma passa a ser inominável. Já para a terceira geração, esse trauma é algo impensável, eles não têm a menor ideia de que algo possa ter acontecido, mas esse trauma reflete de alguma forma em suas vidas, a pessoa apresenta sentimentos, sensações e pensamentos estranhos, talvez até mesmo uma sensação de não pertencer. E é o processo de historização que vai justamente tirar essa sensação estranha, quando a pessoa aprender mais sobre o passado da vida dela e da família dela, ela estará preparada para seguir adiante e planejar um futuro, para sentir que realmente faz parte.



Essa parte do segredo de família pode ser facilmente exemplificada nos livros de ficção e fantasia, por exemplo: 

1. Um personagem sente que não se encaixa no mundo normal, 
2. Descobrimos então que os familiares guardam um segredo de família sobre um passado místico, porque aconteceu algo que foi traumático ou perigoso o suficiente para que eles tomassem a decisão de esconder isso, 
3. O personagem principal percebe que algo estranho está acontecendo e se depara com parte da verdade, 
4. A partir disso, ele entra de cabeça nesse mundo, descobre mais sobre o segredo da família e entende mais sobre si mesmo finalmente entendendo o lugar ao qual ele pertence, podendo assim seguir adiante para o seu “final feliz”.

Para finalizar, é importante falar do conceito de alteridade, que seria basicamente a capacidade que o jovem (na última etapa da adolescência, antes de se converter adulto) tem de finalmente entender a outra pessoa como alguém diferente de si mesmo com desejos e necessidades, gerando um altruísmo em relação à outra pessoa, e é daí que podemos ver essa característica dos heróis de dar-se pelos outros em prol a um bem maior.
Eu poderia continuar falando mais e mais sobre isso, mas vou finalizando por aqui. Acredito que esses pequenos detalhes de psicologia possam ajudar na hora de pensar mais sobre a parte interna do personagem. Isso não significa que você tenha que colocar todos esses elementos de trauma familiar, cripta, alteridade, historização e etc na sua história, é o que eu sempre digo, determinados detalhes profundos do passado dos personagens são só para os escritores, os leitores devem entender algo disso nas entrelinhas da história, sem nunca realmente estar 100% seguros de que é verdade. Afinal, nenhuma história mastigadinha é divertida
Espero que tenham gostado do post! Nos vemos na próxima.

quarta-feira, 18 de março de 2020

,
Foto: Volodymyr Hryshchenko

Estamos tão conectados que muitas vezes acabamos não percebendo o que acontece ao nosso redor. São tantos estímulos que recebemos  todos os dias que fica difícil absorver tudo, e o pouco que conseguimos muitas vezes não temos "tempo" de analisamos com cuidado para obtermos informações relevantes. Situações como essa contribuem para que nos deparamos com o temido bloqueio criativo. Caso você esteja passando por isso neste momento não deixe de conferir 10 dicas para superar o bloqueio criativo que listamos aqui no blog. Porém,  não iremos falar sobre isso hoje.

Provavelmente você já ouviu ou leu em algum lugar sobre como você precisa vivenciar novas experiencias para ter uma escrita mais rica em detalhes, afinal escrevemos melhor sobre aquilo que conhecemos e/ou vivenciamos. Porém, nem todo mundo consegue se aventurar nas interações sociais e explorar o mundo além da sua zona de conforto com maestria, então porquê não podemos de repente explorar as habilidades introspectivas e aprender com o melhor dos dois mundos?

Em Three anti-social skills to improve your writing, a educadora Nadia Kalman nos sugere algumas "habilidades anti-sociais", para melhorarmos nossa escrita e conseguir criar um diálogo eficaz em nossas histórias.  As habilidades mencionadas são:

1.Espionagem

Quem nunca escutou sem querer a conversa alheia enquanto estava esperando no ponto de ônibus, na fila do banco, no metrô, em uma viagem de avião e por aí vai?

Cena do filme  Antes do amanhecer (Before Sunrise)

Apostamos que você disse sim a pergunta acima. Então da próxima vez que você estiver em uma situação dessas e escutar uma conversa que desperte sua curiosidade, tente prestar um pouco mais de atenção. Anote os pontos principais, caso não consiga pegar todo o contexto para não esquecer depois. Às vezes as palavras que você escuta podem lhe dar ótimas ideias para uma cena ou quem sabe uma nova história.

Lembre-se: Quando você escreve ficção, você não está descrevendo pessoas reais, e sim  criando personagens, ou seja, inspire-se nas situações e não copie exatamente aquilo que você vê.

2.Fingir que os personagens são reais

Você ouviu uma conversa que te chamou a atenção, anotou os pontos-chave. Agora é a hora de começar a dar forma para sua cena de diálogo.

Cena do filme  Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças ( Eternal sunshine of the spotless mind)

Quem disse cada frase disse diálogo? São crianças? Um casal? Pai e filho? Um adolescente e um idoso?  Como eles são? De onde são? Como se vestem? Que música ouvem? Onde vivem? Passe um tempo com eles, os conheça.  Nessa etapa o Planner para escritores e o Planner de Escrita podem te ajudar a responder essas e outras perguntas.

Se você está em um ônibus, imagine o que eles poderiam estar fazendo se eles estivessem ali também, por exemplo. Eles estariam falando ao telefone, escutariam música, leriam um livro ou tirariam uma soneca?

Uma vez que você já conheça seus personagens ficará mais fácil saber como cada um fala e se expressa. 

Lembre-se: Uma pessoa mais velha deve falar diferente de uma mais jovem, um adolescente fala de uma maneira com os pais e outra com os amigos, assim  como uma pessoa do interior tem um linguajar diferente de quem mora na capital, etc...

3.Murmurar para si mesmo

Quando você fala com as palavras de seus personagens, você pode ouvir se eles soam naturais e conserta-los se necessário.

Cena da série de TV New Girl

A maioria das pessoas falam com frases curtas, não em parágrafos longos. Logo falas muito longas não soam tão naturais.  Pergunte a si mesmo: Isso é realmente necessário?

Por exemplo: Em algumas situações o uso do advérbio pode se tornar redundante. Já em situações que as palavras e as ações não combinam, um advérbio pode ser útil.

Lembre-se: A maioria das pessoas são geralmente tendem a serem informais quando falam, usando linguagem simples e contrações, assim como gírias e alguns neologismos.

Para  colocar em prática as dicas listadas aqui, sugerimos alguns exercícios para você praticar. Confira:  
Cena do filme Sussuros do Coração (Whisper Of The Heart)

1. Liste pelo menos cinco diálogos que você considera os melhores que já leu.  O que você acha que tornou o diálogo eficaz? Quais técnicas você acredita que o autor  usou?

2. Um personagem pode falar de maneira diferente, dependendo da idade ou região geográfica em que se encontra. Quais são alguns outros fatores que podem afetar a maneira como um personagem fala?

3.  Pegue uma mesma frase e a reescreva como se fosse uma pessoa idosa falando, um adulto, um adolescente, uma criança, uma animal. Alterne o gênero também, afinal homens e mulheres se expressão de maneiras diferentes. Para aumentar um pouco a dificuldade  escolha três estados  brasileiros e reescreva como cada uma dessas pessoas falaria a mesma frase. 

4. A maioria das pessoas tende a falar informalmente, usando linguagem simples, contrações, gírias etc. No entanto, há casos em que o discurso formal se encaixa melhor em um personagem ou uma história. Que tipo de personagem pode usar um vocabulário acadêmico e uma gramática formal? Além disso, em que tipo de situação um personagem pode adotar um estilo rabuscado de falar?

_____________________________________________________________
Nos acompanhe também em:  | Facebook | Twitter Instagram | Youtube | Pinterest | Loja

quarta-feira, 11 de março de 2020

,
Projeto Escrita Criativa | Com a palavra, o autor: 5 playlists sobre escrita e literatura
Imagem de Andrian Valeanu por Pixabay

Olá, escritor! 
Você já parou para pensar como é a sua formação enquanto autor? O que você tem lido, do que tem se alimentado criativamente? Tão importante quanto arrumar tempo para escrever mais é poder arrumar tempo para estudar escrita e processos criativos.

Nós, da moderação do Projeto Escrita Criativa, sempre dizemos o quanto é importante ler, por isso, deixamos nos extras topo do blog, a nossa Biblioteca Criativa. Além dela, o post de hoje traz outra forma de estudo: a voz de outros escritores.

É sabido que os humanos têm a capacidade de aprender com a experiência alheia (e que isso, inclusive, é o que torna a literatura tão mágica: o poder de gerar o sentimento de empatia!). Por isso, nada como ouvir um escritor de sucesso falando e aprender com ele. Ainda mais quando esse escritor é brasileiro.

Super Libris

Vai fazer aquela faxina em casa? Que tal deixar um vídeo do YouTube rolando? O Canal SescTV disponibilizou a 1ª temporada inteira do programa Super Libris. Ao todo são 50 episódios (de cerca de meia hora, cada), em que autores nacionais abrem as portas de suas casas e de seus processos criativos. Dentre eles, há nomes como Luis Fernando Veríssimo, Ana  Miranda, Thalita Rebouças, Férrez, Ferreira Gullar, Antônio Prata, Daniel Munduruku, Marina Colasanti, Carola Saavedra, Ruth Rocha, Ivan Ângelo, Luiz Ruffato, Milton Hatoum, Martha Medeiros, André Vianco entre outros.

Quer assistir? Aperte o play. 😉



Bandolê

O canal Bandolê tem como objetivo difundir livros e entrevistas com autoras brasileiras. De lá, destacamos aqui a playlist de entrevistas com as escritoras, em que temos nomes expressivos como os de Jarid Arraes, Stephanie Borges, Alice Ruiz, Gabriela Aguerre, Luisa Geisler, Sheyla Smanioto dentre outros.

Para ver, dê o play. 😉


Palavras Cruzadas

O canal da Companhia das Letras é um show a parte. Lá o leitor pode ouvir não apenas dos escritores como é feita a produção dos livros, mas também dos capistas e editores. Recentemente, a editora criou uma série/playlist chamda Palavras Cruzadas, em que entrevistam os autores da casa. Nomes como o da Ana Maria Machado e do Milton Hatoum figuram entre os entrevistados.😉



Drauzio Entrevista

No canal do médico e escritor Drauzio Varella há uma série de entrevistas. Na playlist abaixo, vocês podem conferir o bate papo que ele bateu com escritores de ficção e de não-ficção, a exemplo do Gregório Duvivier, da Lilia Schwarcz, do Maurício de Sousa, do Caco Barcellos, do Marcelo Rubens Paiva e do Antônio Prata (na playlist há entrevistas com personalidades que não são do universo da escrita, mas que também vale a pena serem vistas).😉


Compartilhando experiências

Você sabia que nós, do Projeto Escrita Criativa, temos um canal no YouTube? Pois é! Lá nós também compartilhamos as nossas experiências e conhecimentos. Na playlist abaixo, temos um pouco sobre o processo de se autopublicar e otras cositas más.



Como você pode ver, há aprendizado para quem escreve em todas as áreas (fição, não-fição, infantil, prosa longa, prosa curta, poesia, experimental, jornalismo literário etc.). Só neste post trouxemos mais de 100 vídeos. Sendo assim, o que importa aqui é não ficar parado!

quarta-feira, 4 de março de 2020

,
Foto: Facebook da Patti Smith.
Uma viagem de volta a locais visitados há tempos. Uma biografia. Encontros com pessoas. Uma patinadora competindo na TV. Um diário de viagem. A conexão de tudo isso despejada no papel durante uma viagem de trem. Com Devoção, a cantora e escritora Patti Smith compartilha com o público, de modo muito generoso, como seu processo criativo funciona.

O livro é dividido em três partes. A primeira delas, "Como a mente funciona", traz um relato de viagem em que a autora registra as sensações e os encontros (consigo mesma, com seu próprio passado e com outras pessoas). Ao longo da jornada, Patti faz questão de aproveitar a estadia na França para visitar lugares que foram marcantes na história de pessoas que a inspiram. Como todo relato de viagem, esta parte do livro é cheia de referências geográficas, com endereços de onde escritores e artistas trabalharam, e deixa o leitor querendo visitar cada um dos pontos - ainda mais porque a narrativa flui de forma que parece que nós, leitores, estamos caminhando junto com a autora por todas aquelas ruelas. O texto é tão fluido que não nos demos conta de que as páginas estão passando.

Patti Smith lendo um de seus livros. Foto: Facebook da autora.
O relato de viagem prepara o leitor para o conto que segue na segunda parte do livro, "Devoção". É interessante notar como os fatos, aparentemente desconexos, se interligam compondo a narrativa. Desde a formação dos personagens à ambientação, tudo relaciona-se com os registros do olhar de Patti para o mundo. Se na primeira parte do livro, a autora focou em observar as sensações e o tempo presente como um exercício para se nutrir do mundo; na segunda, vemos como ela domina a linguagem a ponto de criar um novo universo a partir de tudo que conseguiu absorver. No conto, Patti Smith devolve essa conexão em forma de arte. Escrever é a sua ação criativa. O mapeamento da primeira parte da obra faz com que o conto se torne ainda mais genial, ganhe ainda mais força. É notável como a tragédia da guerra (relacionada à família da protagonista) norteia a falta de se sentir um sujeito histórico que a personagem principal carrega consigo. Patti traz com contundência e delicadeza o existencialismo ao seu leitor. Há sentido na vida? Vale a pena viver? É eficaz tentar/aceitar qualquer coisa em busca de um sonho?

Por fim, mas não menos importante, o leitor se descobre na terceira parte da obra, "Um sonho não é um sonho", em que Patti descreve como foi sua visita à casa de Albert Camus. Lá ela tenta responder aquela pergunta com a qual muitos escritores se atraem: "Por que alguém se sente compelido a escrever?". Aqui, o texto ganha o mesmo tom de relato da primeira parte do livro, com um diferencial: se antes a escrita que tentou responder a tudo isso era empírica; agora, ela surge de modo mais consciente - ainda que sem uma resposta exata.

É interessante como Devoção inspira seu leitor a querer seguir os passos de Patti Smith não só no sentido de viver uma vida mais presente (seja na observação, seja no registro do diário), mas também no sentido da busca por conhecer de perto a vida dos artistas que nos inspiram.

O livro também apresenta ao longo das páginas algumas fotografias (sendo a maior parte delas da própria Patti) e as páginas fac-símile do conto.
"... a mente também é uma musa".
(página 09)
Livro: Devoção
Título original: Devotion
Autora: Patti Smith
Tradução: Caetano W. Galindo
Páginas: 144
Apresentação: Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura? Dividido em três partes, Devoção vai refletir sobre questões como essas. O relato se inicia com uma viagem da autora a Paris. Percorrendo as "ruas abstratas de Patrick Modiano" e lendo uma biografia de Simone Weil, Patti Smith começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro – a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens. Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. "Por que alguém se sente compelido a escrever?", é a pergunta que nos acompanha até o fim. "Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação", Patti diz. E porque, afinal, "não podemos apenas viver".
Livro no Skoob. | Clique aqui para ouvir o podcast que a Companhia das Letras gravou com a autora.

*Resenha postada originalmente no site Algumas Observações.
_____________________________________________________________

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

,
Imagem: Giulia Bertelli

Dizem que o ano só começa após o Carnaval, então este é o momento perfeito para adicionar novas ideias nos  projetos que você pretende desenvolver ao longo do ano. Para isso  trouxemos 5 sugestões de temas para explorar com base nas tendências criativas listadas pela Shutterstock para 2020

Foto: Marvin Meyer

1. 1920: Os anos loucos

A década de 1920 ficou conhecida como "anos loucos" e os jovens da época foram chamados de "geração perdida" pelo seu modo de vida alienado e superficial.  Esta década ficou marcada por uma mudança de valores significativa, pela libertação da mulher e grandiosas festas.  

Um século depois, o visual que definiu a década de 1920 com exuberância e barulho está prestes a retomar a atenção do mundo inteiro em 2020. Poderíamos listar várias características que marcaram essa época e comparar as semelhanças com a sociedade atual, mas para isso seria necessários bem mais que uma postagem.  

Para aproveitar melhor esse tema busque inspiração nos livros e filmes da época, procure conhecer os grandes nomes que marcaram a geração dos anos 20, os principais acontecimentos, pesquise como a sociedade se transformou ao longo do tempo,  como era o modo de vida e  crie um paralelo com o que vivenciamos hoje. Use esse conhecimento para criar uma história rica em detalhes. 

Sugestão de leitura: A época da inocência - Edith Wharton, O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald, Metrópole à Beira-Mar - Ruy Castro. 

Foto: Halanna Halila

2. Ocultismo

De acordo com o dicionário o ocultismo é o estudo de coisas, fenômenos ou manifestações que não podem ser explicados pela razão ou pela ciência e que se baseia na crença em uma realidade suprassensível, como a quiromancia, a alquimia, a astrologia, a magia etc.

Este é  um tema que geralmente está presente em livros de fantasia, mas não necessariamente precisa se limitar a ele. Como exemplo temos os livros:

Escrito nas estrelas? - Aione Simões, Os 12 Signos de Valentina - Ray Tavares e Confissões de Um Garoto Tímido, Nerd e (Ligeiramente) Apaixonado - Thalita Rebouças, que desenvolvem sua narrativa com bases em conceitos da astrologia. 
Já o livro TREZE - FML Pepper, tem o desenvolvimento de sua trama graças a previsão de uma cartomante. 

Foto: Echo Grid


3. Vida na Natureza

Cada vez mais as pessoas estão buscando se conectar com a natureza e ter uma vida mais sustentável seja através de viagens, decoração, moda, alimentação ou uma mudança no modo de vida de modo geral.

É praticamente impossível falar no tema e não se lembrar do filme Na Natureza Selvagem, baseada no livro escrito pelo jornalista Jon Krakauer, lançado em 1996 e que conta a história de vida real de Christopher McCandless. Seguindo o tema também temos obras conhecidas como o filme Livre, que é uma adaptação da a autobiografia intitulada Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail, de Cheryl Strayed.  E o Regresso, que adapta o romance The Revenant: A Novel of Revenge, de Michael Punke e garantiu o Oscar de melhor ator a Leonardo DiCaprio. 

Para abordar o tema não precisamos viajar para longe para construir uma narrativa interessante. Já pensei em criar um história que se passe em meio a natureza selvagem do Pantanal, Amazônia ou Mata Atlântica? Representatividade é um assunto que está em alta e nada melhor que contar história tendo como plano de fundo a biodiversidade de um país tão rico como o Brasil.

Sugestão de leitura:  Yuxin - Ana Miranda, O Apelo da Selva - Jack London,  Criança da Amazônia - Mauricio Veneza, Anne de Green Gables - L.M Montgomery, Cem dias entre o céu e o mar - Amyr Klink e Walden ou a vida nos bosques - Henry Davi-d Thoreau.

Foto: Callum Shaw


4. Arte de Protesto 

Cartazes levantados, muros grafitados e pixados, camisetas com frases impactantes: a arte espalha a mensagem de um movimento que busca transformação. Ao longo da história  as artes se mostraram uma ferramenta importante para a mudança social. O uso de abordagens estéticas serve como uma forma de fornecer uma perspectiva crítica do mundo como ele é, ao mesmo tempo que despertar a imaginação de como o mundo poderia ser.

Indivíduos do mundo inteiro estão usando suas vozes para protestar e se posicionar. Em 2020, a previsão é que essas vozes ficarão ainda mais intensas e farão barulho para quem sabe assim serem ouvidas.

Como exemplo  da arte como forma de protesto podemos citar: 

O Dadaísmo, ou movimento dadá não era um estilo de arte propriamente dito, mas um movimento de crítica cultural mais ampla,uma forma de anarquia artística originada do descontentamento pelos valores políticos, sociais e culturais. Reuniu elementos de arte, música, poesia, teatro, dança e política. 

No Brasil, o dadaísmo se apresentou principalmente nas artes plástica e na literatura, representadas pelos artistas do movimento modernista. Entre os mais influentes artistas brasileiros dessa época destacam-se o escritor Manuel Bandeira e Mario de Andrade. 

Em fevereiro de 1922 foi realizada, no Teatro Municipal de São Paulo, a “Semana de Arte Moderna”, contando com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos, apresentando-se como a primeira manifestação coletiva pública na história cultural brasileira a favor de um espírito novo e moderno em oposição à cultura e à arte de teor conservador, predominantes no país desde o século XIX.

Em uma palestra no dia 15 de fevereiro de 1922, o autor Mário de Andrade antevê a importância de temperar o processo de importação da estética moderna com o nativismo, o movimento de voltar-se para as raízes da cultura popular brasileira. A dinâmica entre nacional e internacional torna-se a questão principal desses artistas nos anos subsequentes.

Aproveite para dar voz a uma realidade negligenciada, a uma minoria que precisa ser ouvida se você fizer parte dela ainda melhor, crie uma trama que tenha protestos, manifestações como plano de fundo ou faça que seus personagens usem as artes como um agente transformador.

Sugestão de leitura: Prólogo, ato, epílogo - Fernanda Montenegro, Um nome escrito em sangue - Matt Rees, Moxie - Jennifer Mathieu  Mulheres na Luta - 150 anos em busca de Liberdade, Igualdade e Sororidade - Marta Breen e Jenny Jorhl.

Foto: Click and Boo

5. Esportes 


Este ano teremos mais 32ª edição dos Jogos Olímpicos que será realizada em Tóquio e a busca por uma vida mais saudável através da atividade física está cada vez maior. Logo não é surpresa ver o tema esportes como uma tendência para 2020. 

Você já pensou em criar uma história tendo como plano de fundo uma grande competição? Ou ainda ter um  protagonista que seja  atleta ou explorar um esporte não tão popular? Também é uma ótima ideia utilizar o esporte como um forma de transformação no desenvolvimento da sua história.

Sugestão de leitura:  À Sombra das Chuteiras Imortais e O Berro Impresso Das Manchetes - Nelson Rodrigues.

Esperamos que estes 5 temas te ajudem a se inspirar a escrever ao longo deste ano e para te ajudar nesse processo de escrita não deixe de conferir: Planner para EscritoresA Jornada do HeróiDicas de escrita: 6 formas de fazer o "escrever mais" ser rotina na sua vida10 dicas para superar o bloqueio criativo e Desafio Criativo 2020


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

,


Olá escritores!

Tenho certeza que vocês já devem ter escutado sobre a famosa Jornada do Herói e como seus elementos são importantes para uma história sucesso, não só de cunho literário, mas até mesmo para criar propagandas de marketing.
A verdade é que não existe uma receita certa para que um livro seja um best-seller, mas é bem interessante conhecer um pouco mais e analisar quais aspectos podem servir para a sua história. Afinal, muitas vezes escrevemos e nem percebemos que usamos muitas dessas estruturas.
Mas antes, você sabe como surgiu a Jornada do Herói?
Acredite, não surgiu assim do nada e tem muuuuuito embasamento em diferentes áreas incluindo a psicologia.
A primeira Jornada do Herói surgiu com Joseph Campbell com o livro “O herói de mil faces”, depois de analisar diferentes obras mitológicas e religiosas ele chegou em 18 passos da Jornada do Herói, além de se apoiar muito na teoria psicanalítica, mas vamos nos aprofundar nisso em outro post.

Aqui vai uma lista desses 18 passos:
1. Chamado à aventura
2. Recusa do Chamado
3. Ajuda Sobrenatural
4. Travessia do Primeiro Limiar
5. Barriga da baleia
6. Estrada de Provas
7. Encontro com a Deusa
8. A Mulher como Tentação
9. Sintonia com o Pai
10. Apoteose
11. A Grande Conquista
12. Recusa do Retorno
13. Voo Mágico
14. Resgate Interior
15. Travessia do Limiar
16. Retorno
17. Senhor de Dois Mundos
18.  Liberdade para Viver

Mas não é exatamente essa Jornada do Herói que nós tanto ouvimos falar, a versão mais comum é a de Christopher Vogler que, baseado nos 18 passos de Campbell, criou a sua versão mais “enxugada”, tirando algumas partes que não são tão necessárias no enredo, afinal, a sociedade passa por diferentes mudanças e as teorias devem se adequar a elas.
Para Vogler, a Jornada do Herói é um processo de transformação e autoconhecimento do personagem, como já sabemos, um bom livro deve ter esse elemento de transformação do personagem e que essa mudança seja algo perceptível de como ele era no início e como ele é agora ao final, até porque, de que adianta o personagem passar por todos os “perrengues”, se no final vai continuar o mesmo? Quando isso acontece, ler a história e não lê-la, dá no mesmo, já que conhecemos o personagem do começo ao fim.

Bom, agora vamos ao que importa, aqui estão os doze passos da Jornada do Herói aprofundadas!

1. O Mundo comum.




Uma introdução com detalhes da vida cotidiana do personagem, quem ele é, onde vive, com quem vive, como é composto o seu círculo social. Quais são as suas características e defeitos,

É a ambientação inicial que mostra uma vida quase monótona/comum a qual os leitores podem identificar-se.

2. Chamado à aventura.




Nesse ponto o personagem se encontra com o seu primeiro conflito que o chama para tomar uma ação, para que saia da sua zona de conforto.

Esse desafio deve estar relacionado com algo que se demonstre importante para ele como: amigos, família, uma conquista, sua própria vida, seu destino, manter sua vida como está/estável...

3. Recusa do chamado.



O personagem reluta em responder ao desafio por diferentes motivos, seja por medo, ressalvas ou conflitos internos. Ele/a prefere continuar no lugar que está e ignora o chamado, por estar seguro de que sua vida está bem da forma que está.

4. Encontro com o mentor.




Aqui é quando o herói se encontra com o mentor, que o ajudará com o impasse apresentado anteriormente, este proporcionará algo que é necessário para enfrentar o desafio que pode ser qualquer tipo de coisa: desde um conselho até mesmo objetos com poderes, treinamento, uma força sobrenatural, uma história motivacional...
Seja o que for é uma ajuda que alavanca o herói a seguir na sua jornada.

5. A travessia do primeiro limiar.




Este é o momento em que o personagem atravessa o caminho do mundo comum do dia-a-dia para a nova realidade que ele deve encarar.
Não é necessário que seja todo um reino diferente com criaturas e toda uma nova língua, pode ser algo desconhecido para o personagem como uma vizinhança nova, algum poder, a descoberta de um segredo de família...

6. Provas, aliados e inimigos




Uma vez que o herói embarcou nessa jornada de cabeça, ele começa a encontrar vários desafios menores no meio do caminho que o ajudarão a melhorar suas habilidades para o desafio maior que está por vir.
Nesse ponto ele vai encontrando diferentes pessoas e descobre quem são aqueles que podem ajuda-lo e quem são seus inimigos.
Aqui conhecemos mais do personagem e existe uma identificação maior com o público.

7. Aproximação da caverna secreta.




Aqui é onde o herói faz uma pausa na sua jornada, começa a refletir sobre tudo o que aconteceu e volta aos seus questionamentos iniciais, aqueles mesmos medos voltam para abalar um pouco as estruturas e ele vai justamente trabalhar isso aqui.
Ele se recolhe em um esconderijo que pode ser físico ou mental para se preparar para o grande desafio que está chegando. Essa pausa é importante para demonstras ao leitor uma diferença de magnitude dos desafios anteriores e desse que está por chegar.

8. A provação.




É onde o herói passará por um teste de extrema dificuldade que pode ser físico ou mental, aqui ele vai precisar reunir todos os conhecimentos adquiridos na sua jornada até agora para superar isso que está passando.
Essa etapa é considerada uma etapa de transformação, onde o herói ganha um novo significado, é uma etapa de ressurreição para uma nova vida.

9. A recompensa.




Uma vez que o nosso herói passou pela transformação, ele recebe uma recompensa por isso, pode ser um objeto, algo simbólico, fazer as pazes com um amigo, recuperar algo que estava perdido, um novo conhecimento, um tesouro encontrado, um amor...
Mas nem tudo são flores, depois de conquistar essa recompensa, nosso herói deve voltar para o início com aquilo que encontrou/conquistou já que a sua jornada ainda não terminou.

10. O caminho de volta.




Esse é um caminho mais tranquilo que não oferece perigos ao herói. Nesse momento ele leva aquela sensação de missão cumprida, uma sensação de bem-estar. Mas é nesse ponto que ele deve fazer uma escolha entre um bem maior para todos ou a realização de algo pessoal, colocando seu julgamento à prova.

11. A ressurreição.



Aqui é onde acontece a famosa batalha final, onde o vilão ressurge quando todos pensavam que o nosso herói o havia derrotado, aqui o perigo não é só para o nosso protagonista, mas envolve a todos ao seu redor.
É uma batalha de extrema importância, porque todos dependem do nosso herói para derrotar o vilão, caso contrário, todos vão sofrer.
Uma vez derrotado o vilão é aqui que realmente o herói vai renascer para uma vida nova junto com todos presentes naquele momento. Chega uma nova era sem aquele vilão.

12. O retorno com o elixir.




Finalmente o nosso herói chega ao seu ponto de partida e recebe o reconhecimento por aquilo que conquistou, essa chegada simboliza seu sucesso na jornada, uma grande mudança também.
Aqueles que estiveram contra ele serão punidos e as coisas nesse mundo passam a mudar por aquilo que ele fez.


E esses seriam os 12 passos da nossa querida Jornada do Herói. Você, como escritor livre, pode escolher segui-la ou não, ou pegar algumas etapas para aplicar no seu livro, até porque, cada história é diferente. Outra coisa importante ressaltar, é que a Jornada do Herói não precisa ser necessariamente para personagens masculinos, uma personagem se encaixa perfeitamente nesses doze passos sem tirar nem pôr.
Se você quiser saber um pouco mais da psicologia por detrás da Jornada do Herói e de como funciona a base da psique humana de acordo com a psicanálise, nós teremos um post em breve sobre isso! Fiquem atentos!


E você, já usou a Jornada do Herói em um livro seu? Compartilhe aqui nos comentários!


Follow Us @soratemplates